Casais +50 podem recuperar a química na cama com 3 atitudes simples - e terapeuta tântrica que levou meditação à turnê de Anitta explica por onde começar: 'Olhem-se nos olhos'
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 22:02
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Fernanda Zorzo explica como casais com mais de 50 anos podem recuperar a química, driblar o piloto automático e fortalecer a intimidade com três atitudes simples
Casais +50 podem recuperar a química na cama com 3 atitudes simples - e terapeuta tântrica que levou meditação à turnê de Anitta explica por onde começar: 'Olhem-se nos olhos' Fernanda Zorzo é terapeuta tântrica e explica como casais com mais de 50 anos podem recuperar a química e fortalecer a intimidade A terapeuta tântrica Fernanda Zorzo fala sobre Tantra, desejo e reconexão para casais com mais de 50 anos Casais +50 podem fortalecer a intimidade com atitudes simples, como olhar nos olhos, escutar o parceiro e tocar com intenção, segundo Fernanda Zorzo Fernanda Zorzo destaca a importância da escuta ativa e da vulnerabilidade para casais que estão juntos há muitos anos

Tem casal que chega aos 50, 60 ou 70 anos com uma história inteira construída a dois: filhos criados, viagens, contas divididas, conquistas, crises superadas e uma rotina que parece funcionar no automático. O problema é quando, no meio de tudo isso, uma coisa vai ficando para depois: o desejo. Vish! E aí, minha gente!? Como fica a situação? É possível recuperar a química depois de tantos anos juntos?

Para a terapeuta tântrica Fernanda Zorzo, a resposta passa menos por procurar uma fórmula para "voltar a ser jovem" e mais por reaprender a estar presente com o próprio corpo e com o parceiro!

Fernanda ganhou destaque recentemente ao levar uma meditação tântrica para a Vila Equilibrivm, espaço de experiências de bem-estar ligado à Equilibrivm Tour de Anitta em Salvador. A programação reuniu práticas como meditação, yoga, respiração e massagens. A profissional também participou do Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana com uma apresentação sobre Tantra e práticas somáticas.

Em entrevista exclusiva ao Purepeople Brasil, ela explica que a perda ou diminuição do desejo não pode ser colocada simplesmente na conta da idade. “Essa queixa, na verdade, não tem idade. Para alguns casais ela aparece depois dos filhos; para outros, quando aquela paixão inicial esfria; e há aqueles que conseguem manter uma vida íntima muito viva até a terceira idade", disse.

Mas existe um detalhe que pode fazer toda a diferença: o desejo também precisa ser alimentado. “Quanto menos pensamos sobre prazer, exploramos e vivenciamos determinadas experiências, menos sentimos a falta delas. O desejo também precisa ser cultivado". E como começar?

1. Olhar nos olhos pode ser mais importante do que procurar 'técnica' para o sexo

Parece simples demais. Justamente por isso pode passar despercebido. Depois de muitos anos juntos, o casal pode conhecer cada hábito do outro e, ao mesmo tempo, parar de prestar atenção nele de verdade. A rotina facilita a convivência, mas também pode transformar a relação em uma sequência de tarefas.

Fernanda aponta a vulnerabilidade como um dos pontos que podem criar distância. “Quando deixamos de mostrar o que sentimos, desejamos ou precisamos por medo de sermos julgados ou rejeitados, vamos criando distância. E comunicação não é apenas verbal. Nosso corpo fala muito antes de conseguirmos colocar determinadas coisas em palavras", explicou.

Por isso, a primeira atitude indicada por ela é quase um convite para interromper o piloto automático: "Olhem-se nos olhos. Profundamente. Às vezes, existe um silêncio cheio de acolhimento e afeto que diz muito mais do que qualquer conversa".

2. Pare de achar que já conhece completamente quem está ao seu lado

"Estamos juntos há 30 anos, eu já sei tudo sobre ele/ela". Será mesmo? Para Fernanda, um dos problemas dos relacionamentos longos é justamente a perda da curiosidade. O parceiro que um dia era uma descoberta pode virar alguém que acreditamos conhecer por completo.

"Também vejo casais que deixam de olhar verdadeiramente um para o outro, perdem a escuta ativa e esquecem a potência de um toque sem pressa, sem cobrança e sem uma expectativa imediata de chegar ao sexo", avaliou.bE existe uma consequência silenciosa: "Às vezes, o casal continua dividindo a vida, a casa e a rotina, mas deixa de realmente se encontrar".

A solução passa por voltar a perguntar, ouvir e descobrir.

"Segundo: escutem-se verdadeiramente. Leiam os sinais do outro, mas não tentem adivinhar tudo. Perguntem, conversem e tenham a humildade - e a felicidade - de uma criança que está sempre descobrindo alguma coisa nova", disse a especialista. “Podemos conhecer a nós mesmos e ao outro novamente, porque ambos mudaram ao longo dos anos", acrescentou.

3. Toque não precisa ser sinônimo de 'vamos transar'

Aqui entra uma mudança que pode parecer pequena, mas mexe diretamente com a forma como muitos casais entendem intimidade. Nem todo beijo precisa terminar em sexo. Nem todo abraço precisa ser uma preparação. Nem toda massagem precisa ter um "objetivo". O toque pode recuperar uma conexão que ficou esquecida...

"Terceiro: toquem-se com intenção. Nosso corpo é muito sábio e percebe quando existe desejo, carinho e presença naquele toque. E esse toque não precisa estar reservado apenas para o momento da relação sexual. Ele pode acompanhar todas as fases da relação", esclareceu Fernanda.

O Tantra, segundo ela, trabalha justamente essa desaceleração. "O Tantra traz novas possibilidades de encontro de uma forma mais consciente e menos performática. Ele convida o casal a desacelerar, voltar para o corpo, perceber o outro e descobrir novas formas de intimidade", complementou.

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Desejo começa antes do sexo

Para quem está tentando recuperar o desejo, pode parecer estranho começar longe da cama. Mas essa é uma das ideias centrais apresentadas por Fernanda. "O desejo não precisa começar na relação sexual. Ele pode começar muito antes, na forma como nos relacionamos com nosso próprio corpo e com a presença do outro", contou.

Respiração, olhar, movimento e toque entram nesse processo. "Muitas vezes precisamos reaprender justamente o básico: sentir, receber, respirar, olhar, tocar e ser tocado. O prazer não precisa ser uma sequência de técnicas para chegar rapidamente a um determinado resultado", disse ela.

Depois dos 50, o corpo muda - mas isso não significa que o prazer acabou

Existe ainda outro obstáculo: a maneira como homens e mulheres passam a enxergar o próprio corpo com o envelhecimento. “Envelhecer é uma consequência de estar vivo. Então, em vez de travarmos uma guerra contra as marcas do tempo, podemos aprender a honrá-las - cada marca carrega uma parte da nossa história", provocou.

Para ela, o corpo não precisa ser tratado como algo que perdeu valor porque mudou: "O Tantra propõe justamente uma relação mais amorosa e consciente com o corpo, baseada menos em julgamento e mais em presença".

Até a massagem tântrica, muitas vezes associada apenas ao sexo, pode ter outro papel. "Ela pode ser uma experiência de relaxamento, presença, percepção e reconexão com tudo aquilo que o corpo ainda pode sentir e receber. É muito bonito quando o corpo deixa de ser algo que precisamos esconder ou corrigir e volta a ser um lugar onde queremos estar", expressou. 

Esqueça a obrigação de 'performar bem'

Outro ponto levantado por Fernanda pode atingir justamente quem transforma a própria vida sexual em uma cobrança: a performance. "O Tantra trabalha muito justamente essas duas questões: o piloto automático e a performance".

Depois de anos juntos, existe ainda a tentação de acreditar que o casal já descobriu todos os caminhos possíveis para o prazer.

Fernanda propõe fazer exatamente o contrário: "Até quando você acha que já conhece os pontos mais rápidos e fáceis do outro, existe algo muito mais potente em se aproximar com a humildade de quem está sempre aprendendo. Explorar o outro com curiosidade, diversão e presença pode ser muito mais prazeroso do que tentar 'performar bem'".

Sexo depois dos 50 pode ficar mais livre?

A terapeuta não promete que o prazer será automaticamente melhor com a idade. Mas identifica uma possível vantagem da maturidade: a liberdade. 

"Não porque exista uma idade em que o prazer seja automaticamente melhor, mas porque a maturidade pode trazer algo muito valioso: liberdade. Quando a maturidade é bem vivida, podemos nos libertar de parte dessas expectativas e nos permitir estar mais presentes, mais conscientes e mais conectados com aquilo que realmente queremos", refletiu.

E, para ela, essa presença muda a experiência: "Quanto mais conseguimos estar inteiros na experiência, maior pode ser a nossa capacidade de vivê-la profundamente".

Mito sobre sexo depois dos 50 também precisa cair

Fernanda chama atenção para uma ideia que pode limitar o prazer em qualquer idade: a de que sexo precisa necessariamente significar penetração: "Um dos maiores é o falocentrismo e a ideia de que o prazer sexual depende necessariamente da penetração. Quando ampliamos esse repertório, percebemos que existem muitas outras formas de sentir prazer, intimidade e conexão".

A proposta, novamente, não é substituir uma obrigação por outra, mas aumentar as possibilidades: "Mais presença, mais curiosidade e mais possibilidades de sentir".

E qual é o segredo para um casal que já está junto há décadas?

Parar de procurar um segredo! Fernanda explicou que o casal precisa voltar a olhar, ouvir e tocar, sem transformar cada encontro em uma prova de desempenho. Ela também faz um alerta para quem fica contando quantas vezes por semana o casal transa: "Eu diria, inclusive, para não colocarem tanta pressão na quantidade. Prestem muito mais atenção à qualidade, à presença e à conexão".

"Às vezes, um encontro verdadeiramente presente vale muito mais do que cumprir uma frequência. Depois de muitos anos juntos, existe uma potência enorme em descobrir que a intimidade não precisa ficar menor porque o tempo passou. Pelo contrário: ela pode ganhar novas camadas", concluiu.

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Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
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